Série Movimentos Messiânicos no Semi-Árido Nordestino
O Reino Encantado ou Pedra Bonita
Pode-se afirmar que este foi o mais trágico e o mais sebastianista dos movimentos messiânicos ocorridos no semi-árido nordestino.A fonte mais pesquisada e a registrar o movimento é o livro intitulado “Memória Sobre a Pedra Bonita ou reino Encantado na comarca DE VILA Bela, Província de Pernambuco”, publicada em 1875 por Antonio Atico de Souza Leite,.Em 1836, segundo QUEIRÓZ, “ apareceu na comarca de Flores [...] um mameluco de nome João Antonio dos Santos, pregando que D. Sebastião estava prestes a desencantar trazendo riquezas que distribuiria entre seus adeptos” (1977).
Percorrendo a área correspondente do Pajeú em Pernambuco, Cariri, no ceará e a região do São Francisco, atraiu um grande número de seguidores. Porém receosos pelo andamento do movimento, foi enviado pela igreja e pelas autoridades um missionário e o mesmo com êxito conseguiu temporariamente dispensar o grupo.Dois anos depois surge a figura de João Ferreira. Cunhado do antigo líder, retoma a pregação, além de indicar o local exato da futura aparição de D. Sebastião juntamente com toda a sua corte. Em determinado lugar, onde atualmente localiza-se o município de São José do Belmonte” erguem-se paralelamente, duas enorme pirâmides de pedra comum, como dois minaretes, [...] Uma delas ligeiramente mais alta, mostrava coberta, da metade para cima de pingos prateados [...] daí o nome Pedra Bonita(VALENTE, 1986, p. 54). Proclamando-se rei, João Ferreira consegue reunir em torno de si um grupo de mais ou menos trezentas pessoas, que devido as péssimas condições de vida , o procuravam no desejo de entrando no movimento possuir riquezas.
O reino de Pedra Bonita caracterizou-se pela forma como deveria alcançar o reino ou aa terra prometida. Enquanto que os movimentos que o sucederam entendiam que a terra prometida já tinha sido alcançada ou que podia ser pelo trabalho na terra, os seguidores do Reino Encantado acreditavam que era necessário um grande sacrifício, para que as duas torres fossem literalmentes lavadas de sangue. Quem voluntariamente se submetesse ao sacrifício receberia grandes recompensas no Advento de D. Sebastião. “Se eram pretas voltavam alvas como a luz [...] se velhas, vinham moças, e da mesma forma ricas, poderosas e imortais’ (QUEIRÓS, apud. Atico, 1977).
Diferenciava-se também pelo uso de um alucinógeno, mistura de jurema e manacá aprendido com os indígenas, porém bastante usado na época pela população sertaneja, e também pelo total afastamento da igreja oficial. Segundo os relatos toda moça que casasse no arraial deveria passar a primeira noite com o rei e só na manhã seguinte era entregue ao marido.
Em 14 de maio de 1836 teve início a parte mais sangrenta do movimento. Após discurso de João Ferreira e sobre o efeito dos alucinógenos tem-se inicio os sacrifícios. Pessoas foram, no inicio, sacrificadas voluntariamente. Momentos depois eram entregues crianças pelos pais, enquanto que outros eram sacrificados a força. “No fim do terceiro dia, as bases das duas torres tinham sidos regadas com sangue de trinta crianças, doze homens, onze mulheres e catorze cães”(idem, p. 224). Entre os mortos estava o próprio João Ferreira, sacrificado contra a sua vontade, devido a um “visão” onde D. Sebastião exigia o sacrifício do mesmo. Pedro Antonio responsável pela visão tomou o seu lugar.Um vaqueiro que morava em Vila Bela, atual Serra Talhada, conseguiu fugir dos sacrifícios de Pedra Bonita relatando o fato ao fazendeiro Manuel Pereira da Silva que era também o comissário de polícia daquela localidade. Certo contingente foi formado para dissolver o movimento.
Em Pedra Bonita, devido a decomposição dos corpos, tornara-se o lugar insurpotável. Os sobreviventes partiram para um local mais distantes, enquanto aguardavam a qualquer momento o aparecimento do rei português. Enquanto iam em procissão, encontraram a tropa policial. Acreditando” que neste momento apareceria o exercito de D. Sebastião para salvá-los. Armados de paus e facas, enfrentaram a força policial” (VALENTE, 1986, p. 62).
Houve um grande massacre. Alguns conseguiram escapar. Os prisioneiros receberam tratamentos diferenciados; os homens foram recolhido ao presídio enquanto que as mulheres foram soltas.

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